sábado, 8 de junho de 2013

Enterro

O Tarô é uma filosofia, magia, o que quer que termine com "a".
Pois sendo assim masculino/feminino entende que a morte é simplesmente mudança.
E qual ser, melhor neste mundo, entende a morte?
Este é para minhas irmãs-borboletas que já morreram cem vezes e sabem que existe mais cento e uma chances de se morrer novamente.
Elas sabem quem são, pois tem o Tarô na mão!
Com toda minha admiração!


Era assim que começava
Simples, sem versos.
E nas mãos a tremedeira florida
E na boca a vontade das palavras, muda.
E assim caminhava
Rumo ao abismo
Com a força nos braços
O corpo afagava lembranças
De tantas...
Com o equilibrio no espírito
O amor carregava
E se escondia no tempo
Olhos turvos, escorregadios
E brincava também de ladrão, o bandido.
Era bem assim que terminava
Complicado, sem nexo
Em sua letargia sem cores
Os beijos deixava
No batom
No caderno
Na porta
Rastros incoerentes nos pés dormentes
Grandes, potentes.
E sorria. Gargalhava
Com pensamentos infames
E já não mais queria
Pois já que tudo o sentido perdia
Mas persistia
E ave! Outra Maria!
Com seu terço conduzia
A luz, o dia,
A preguiça se escondia
Não precisava ser bonito
Quem dera fosse só preciso um terno,
Um vestido
Dentro, fora, de todo jeito
Com a dor dentro do peito, sem leito
E ele nem sequer sabia
Na carta que foi tirada
Quem realmente morreu, foi eu!

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Era Amor...




"Toda forma de amor vale a pena, simplesmente!"
E para um coração apaixonado, tudo é possível.
Para alguém, no dia do seu aniversário.
Nem sempre entendemos o começo e muito menos o fim. Pelo menos soubemos fazer o meio.
Aqui meu agradecimento por fazer parte da história da minha vida.
Fique bem!



O amor que tu me tinhas
No todo, me fez crescer
O querer sempre existia
Entre mim e você

Você não me iludia
E ainda coloria meu viver
Dizia que existia
Apenas para meu prazer

O amor que tu me tinhas
Não conseguia me prender
Em cada laço da vida
Há sempre o desfazer

Mas você não percebia
Que não me podias manter
E a cada triste partida
Aumentava teu sofrer

O amor que tu me tinhas
Jamais deixarei  esvanecer
Lembrarei por todos os meus dias
E em cada amanhecer

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Desapego



O ato de amar precisa ser desapegado. A entrega, as amarras, depende daquele que se dá. Impossível manter alguém atrás das grades em nome do amor. Se for assim tudo se perderá e o amor desaparecerá.
Este é para alguém que amo porque ele me deixa voar!



É aquele lugar especial, dentro de mim, onde posso ouvir sua voz.
Seus desejos, realizando meus sonhos.
Fazer você rir ao som do meu silêncio.
Gosto de ver seus olhos escurecendo, sua boca entreaberta, pronta.
Imaginar seu corpo fluindo, excitado, na minha direção.
Me acorrentando a vontade, me fazendo voar.
Sua presença, nas pontas dos dedos, nos cantos da minha imaginação.
Independente se no alto da montanha ou na beirada do abismo
Você não me deixa esquecer
No fundo do mar ou cega pelo sol
Presa na caverna ou decolando em uma estrela
Eu sou sua e você é meu

domingo, 16 de setembro de 2012

Tartarugas



Antigamente voávamos juntos.
Dizia que ele tinha uma asa e eu outra.
Agora ele voa sozinho.
Se culpa do tempo, ou de nossas escolhas, não  importa mais.
Agora ele encontrou outra asa!
Para um grande amigo.


Sento-me aqui novamente
Observando o mar de nada.
Lembrando a ilusão que foi me afogando aos poucos, sem querer.
E me deixei levar pelo seu jeito engraçado
Pelos beijos estalados que nem desejava
Mas sabia, estavam lá.
E você conseguiu fazer de mim a casa cheia,
Aconchegante, repleta de possibilidades.
Acreditar que seria perfeito cuidar um do outro no fim do dia.
Em vão.
Nem cães, nem tapetes ou fotografias.
Talvez de vez em quando possa divisar algumas tartarugas no mar
Enquanto elas brincam na maré
Ou se debatam nas ondas, buscando a areia.
Não sei, é tudo que sei!
Sentir o abandono e raiva ao mesmo tempo
Pior é que pensei que isso jamais aconteceria novamente
Mas agora nosso amor já não se parece mais com nada que era
Você se foi
E conseguiu fazer de mim a casa fria,
Abandonada, perdida no tempo
Mas você encontrou uma casa cheia
Enquanto eu fico aqui
Sentada na pedra fria
Observando as tartarugas no mar
Cheia de amor que nunca, nunca vai acabar.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Sou... Eu...Sou




Ganhei uma prima a pouco tempo, vigorosa mulher,
que decidiu se apoderar de sua própria vida, e, tenho certeza, 
o fará com maestria.
Este é para ela, que descobrirá
 que também existe alegria 
em dançar sozinha.
Para vc, Carla.



Sou rubra, sou sol
Lábios e anzol.
Beijo, durmo, desapareço
Me encaro, olhos baços, sem reflexo
Sou tudo, vazia, inóspita
E abraço, resgato, sem complexos
Despida, com frio, distante
Faço meu mundo em apenas um instante
Sou água, fogo inconstante
Muito feia, imperfeita, impressionante
Tenho a mim, curiosa, bruta, maligna
Sou clara, sou lua, sou digna.
E grito meu canto na cama
Escrava, dona e nua
Mas não engano, não sou tua!
Misturo tudo em amor profundo
E fujo feito um bicho moribundo
Avanço com meu arco
E atravesso meu próprio tempo
Nado meu próprio espaço
E apareço, muito grande
Preenchendo a beleza que me desencarna
É assim que sou
E não me resta mais nada.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Lua Azul


Somos criados acreditando em magia
em coisas impossíveis
em mistérios ao luar.
E no entanto, em algum momento
esquecemos onde essa magia vai parar.
Este é para alguém que nunca deixou de acreditar
que a magia existe,
e mora em qualquer lugar.
Pra vc,  Dindinha.



Agora que a cheia se repete
É momento de desejar
Querer seu retorno, seu cheiro
Ansiar pela sua loucura, ainda que maior que a minha
Meu peito se enche com orações desesperadas
Meus olhos cegam-se ao recordar seu brilho
Tento seguir o fluxo das ondas na vida
Muda a maré novamente
e meu corpo se queda inerte, aguardando.
Entregue ao infinito,
com tudo o que tenho e sinto.
E mesmo que sejam apenas fragmentos de um sonho
abro os braços novamente a desejar seu calor.
E me afogo nas lembranças
sem véu, despida,
novamente, plena de você.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Marinheiro




Marinheiros, Combatentes, Fuzileiros, Homens de Guerra.
Cheios de paixão, lembranças, desejos.
Aposto que no fim do dia, o que mais querem é um colo carinhoso.
Este é para um que virou Navegador.



Enquanto só se ouvia o mar,
ele, apoiado no peito dela,
sentia o ritmo, misturado nas brumas,
na serenidade do seu coração.
Era sempre assim quando não se necessitava de palavras.
Os braços dela ao seu redor, mãos na pele.
Era só deixar serenar para ter o mundo perfeito.
Pintar o desejo na cor de seus olhos claros
refletido no sorriso dela.
Entre tantas idas e vindas
ao ritmo do acaso temperado com solidão
nada era tão intenso quanto a ansiedade do seu toque
no corpo quente dela.
Era só sorver o ar bem devagar e ele tudo poderia:
ou se esvair ou perdurar...
em sombras, em areia
ou no ritmo das ondas
Ali, nos braços dela.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Reencontro


Mesmo nos momentos mais cavernosos
existe sempre uma chave
para abrir o que se pensava estar trancado para sempre.
Sempre é um tempo que não existe.
E você terá a chave para minha inspiração, sempre.
Mesmo que seja apenas agora.
Para você, Tritão.



Ah, você, que mistura garoto e homem.
Que as vezes penso que não me vê.
Seria possível eu estar tão longe e tão perto
que nem mesmo posso ler seus pensamentos?
Ah, você, que me inibe e ao mesmo tempo arrepia a minha pele.
Também, se pudesse ler meus pensamentos não estaria me querendo tanto.
Então estamos quites!
Façamos as pazes para descansar no colo um do outro.
Então poderemos fazer uma guerra só com fogo - fogo que sabemos acender um no outro.
Como fogos de artifícios na arte de amar.
Com lágrimas, risos, suspiros e seu olhar doce, profundo.
Mistura em mim seu desejo
Embaraça seu corpo no meu
E me deixa assim, sem saber ao certo
Se sou menina ou mulher.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Lua Cheia


 Nós, mulheres de fases
com várias faces.
Acreditamos no sim e no não.
Simplesmente acreditamos.
Sorrimos enquanto choramos.
Buscamos o que não pode ser encontrado.
Simplesmente, somos.
Este é para uma mulher que tem olhos especiais.
Gosta de gatos, de todas as cores.
Gosta do mundo e seus sabores.
Para você, Guiga.



Agora que a luz abraça a noite
A timidez desaparece
Visto o véu do desejo e descubro seus olhos
O brilho selvagem dos sons
As promessas na areia
Lanço-me nua ao acaso de braços abertos
O grito desprende da garganta
O corpo alcança sensações inebriantes
Ah, se pudesse ficar assim para sempre
Mas de todas as faces minhas
É neste momento que me consegues ver inteira
Aproveita-me então e deleita-te em mim
Plena de alegria
Completamente cheia

sábado, 4 de agosto de 2012

Melancolia


 

 Quando pensamos que estamos estabilizados,
seguros e protegidos,
vem sempre uma onde, com tudo o que
você mais temia
e te arranca da pedra,
lançando você no mar,
inundando seu coração de paixão,
novamente.
Essa é para minhas irmãs,
mulheres apaixonadas.



Numa foto que nos remete de volta à conversas dentro de um carro com Th.
No cheiro da praia que lembra o rosto da afilhada mais linda do mundo cheio de areia.
Na risada do irmão figurada no sorriso do meu sobrinho.
No abraço apaixonado e cheio de saudade que jamais se repetirá.
Na memória do vestido de florzinha que a Titia preferida fez.
O cheiro do bolo, o calor da caneca de café, o som da madeira crepitando no fogão de lenha da vovó.
Os segredos inocentes trocados no quarto ouvindo Balada Jovem com Rose
E a música que diz "é muito tarde para voltar, acho que estou me apaixonando!"
Melancolia é o rastro da paixão que nunca vai embora.
Aperta o coração de tal maneira que transborda pelos olhos.
Mistura passado e presente e desmonta qualquer vontade.
Percebo que sou complexa, inteira, infinita.
E aí descubro que sempre fui feliz.

sábado, 21 de abril de 2012

Libertação



Este  é para uma pessoa muito especial,
que vi transformar-se numa borboleta rara.
Personalidade, inteligência, beleza, dona!
Pra vc, Manu, com minha eterna admiração.



Qual minha idade, quem está nos meus pensamentos?
Melhor nem perguntar!
As garras nas minhas palavras silenciam meus gestos.
Avanço sem rumo, apenas seguindo minha própria luz.
E nada me detém.
Nem o medo nas sombras aplaca minha ânsia descarada.
Meu coração se volta ao luto e escancara de vez minha sobriedade.
Sem amarras, sem destino – solta na forma!
Não procuro seu entendimento
Não quero sua compaixão.
A preocupação com o perfeito se esvai
Sinto completamente todos meus pedaços.
Afaste-se!
Minha liberdade não lhe diz respeito!
Minha sede por quase tudo te incomoda?
Dane-se!
Não tenho raízes em você.
Meus nós estão onde meus sonhos ainda dormem.
E só a mim eles se revelarão.
Minha fome matarei eu - com ou sem ar!
Minha vontade sou eu quem escreve – nas minhas mãos!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Otimismo

 Quando tudo parecer complicado, ou até mesmo impossível, é bom lembrar que sempre existe uma saída.
Se não consegue ver é porque seu olhar ainda não está suficientemente aguçado.
Mimi, este é pra vc!



Na beira do abismo
Escorreguei e caí
Enquanto em queda livre
O nada instalou-se na minha mente
O corpo mais ágil
Encontrou apoio
Olhos abertos, espantados
Enxergam vermelho e verde
Morangos!
A boca ainda apavorada
Saliva com sorriso e expectativa
Nos instintos mais básicos
A essência parte-se em milhões de pedaços ousados
Defesa, ataque, fome, vontade, pânico, alegria, morte.
Enquanto um lado mantém o corpo suspenso no precipício
O outro não resiste e recolhe - que oportunidade! -
Os morangos que só poderiam ser vistos numa queda!
Ah! O doce amargo gosto da vida!
Na derradeira ribanceira!

domingo, 18 de setembro de 2011

Amor de Borboleta

Às vezes de uma simples conversa
brota inspiração.


Um querido colega disse:
“Assim deixarei a imaginação vagar nas ondas
e aportarei enfim nas calmas praias destas sereias,
para poder ouvir o cantar dos pássaros
e borboletas azuis a voar.”


Eu vi sim, o que você fez!
Para você, meu raio de sol.



Quando a flor abriu
Olhos míopes em um corpo limitado
Arrastaram-se para a beirada da pétala
O suave perfume
As cores vibrantes
Nada poderia ser tão bonito
Não fosse o corpo disforme da lagarta
Que triste, queria ser o que ainda não podia
E em sua voz agoniada
Invejava o vento onde passeavam asas

Observando tudo sabiamente
A borboleta cantando
Repete para seu amor o infindável canto
“Para o fundo da minha alma
Que seja somente de brisa
Vinde sempre com o bater das minhas asas
Como suspiros e doces beijos
Pousados na sua fronte - ou nos seus lábios.
Vestígios longínquos da sua caminhada
Para os meus braços!”

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Lua Crescente

O que dizer para alguém 
quando enfrentamos luto?
Nessas horas nada parece ter sentido.
Então apenas um abraço, 
uma oração e o tempo 
sejam suficientes 
para deixar o ciclo da vida fechar.
Este é para um coração triste
mas cheio de amor.
Amém!


Agora neste instante pulsante
Do quarto crescente
Impossivel reter a maré
Impossível conter a nascente
E me abro buscando por tudo
E me aventuro mergulhando no futuro
A luz que se expande
No coração acelerado
Traz de volta a vida perdida
E me lança à frente
De volta para seus braços

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Lua Minguante


Todos nós temos nossos ciclos.
Como a vida,
idas e vindas fazem parte da magia.
Para cada lua, uma prece.
Para cada quarto,
um amor.
Este é para mim!


Neste quarto sozinha
deixo as horas passarem
enquanto me renovo.
Voltar para dentro de mim,
buscar forças,
nadar nas marés,
deixar a areia secar!
Me recolho
mas não deixo de observar
teu movimento contínuo,
lento, para longe de mim.
Fecho os olhos 
enquanto a escuridão me envolve.
Me escondo nos braços do acaso
e espero.
Até estar pronta,
novamente,
para você!