terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Dentro de Mim



Incrível a quantidade de despedidas 
que podem acontecer.
O tempo que pode ou não se perder, 
na quantidade de momentos absurdos, 
obscuros, conjurados em desejos.
O mais importante, realmente, 
é fazer o que te deixa feliz.
É deixar expectativas de lado e seguir.
Este é para uma pessoa perdida, 
que busca... só que não sabe bem o quê!





Todas as vozes do mundo podem calar
Todas as estrelas no céu apagar
Nem assim, seu som em mim,
deixará de brilhar!
Ainda que sequem todas as gotas nos oceanos
E todas as dores se dissipem por infinitos anos
Mesmo assim, as lágrimas do seu coração,
estarão em mim!
Que apaguem a essência das histórias
Ou milhões de anos das memórias.
Nem mesmo assim,
arrancarão você de mim!

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Bandolins




É quase sempre uma música que faz aflorar a memória.
E volta o perfume, o toque,
a emoção vivida.
Toca seu bandolim,
aqui, novamente,
pra mim.



Não! Hoje não!
Não quero planejar o caminho
Nem tão pouco fazer  contas com o destino
Hoje não!
Não quero falar sobre rotinas
Nem executar os mesmos passos nas mesmas sapatilhas.
Não! Simplesmente, não!
Hoje só quero deitar com o vento
Esvaziar meu corpo do cansaço, sem pensar no trabalho
Ouvir o silêncio me embalando
Me levando de volta aos seus braços.
Só hoje, quero só você
De qualquer jeito, inteiro, em pedaços!
Relaxar, encostar meu coração no seu
Inalar seu cheiro e me deixar levar
Na pontas dos seus dedos
Juro!
Só por hoje, prometo:

Vou ser sua, sem rodeios!

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Sonho


As vezes quando a realidade nos sufoca, o espírito se liberta e sempre encontra um caminho para ser feliz.
Este é para duas pessoas que se encontram em suas próprias ilusões.
G & D





 O espanto foi tudo que restou nas batidas do seu coração. Ela estava ali, num passe de mágica! Como era possível? O mesmo sorriso livre, os mesmos olhos brilhantes, a mesma sensação de infinita familiaridade. Era assim com os dois, sinistramente profundo, secreto, mágico! E ela materializada na sua frente, inacreditável! Ele sentou-se na cama com confusão e desejo nos olhos. Sempre o desejo, intenso, quente! Ela se aproximou, sorrindo, tocou o rosto dele com a ponta dos dedos. Ele fechou os olhos. Inspirou profundamente – aquele perfume, tão diferente de tudo! Sentindo que ela se aproximava, o corpo dele ficou tenso, ansioso, e suas mãos começaram a procurar... Ela sentou no colo dele com as pernas ao seu redor. As mãos dele seguraram seu corpo macio, aquela pele de mármore! Ele abriu os olhos e se perdeu na imensidão do tempo suspenso. Naquele vácuo onde as almas se encontram e os corpos se diluem um no outro. Se abraçaram. Com a cabeça no peito dela a emoção transbordou. A excitação tomou conta e tudo já não tinha razão, apenas mãos e corpos e calor e vontade. Ela tomou o rosto dele nas mãos e beijou seus lábios muito de leve, como o sopro do vento, olhos fixos um no outro. Nenhuma palavra foi necessária. Ele capturou sua boca e as línguas dançaram a linguagem da paixão. Sons do encontro, do entendimento, da saudade, do desejo. E se embolaram, e se amaram, e se deram. Riram. Agarraram o momento. Seguraram-se nos cabelos daquele amor tão limitado, náufragos do acaso, da solidão fragmentada. Conversaram sobre nada explorando o tudo um do outro. Surpreenderam-se quando depois de tantas palavras, o silêncio disse no corpo um do outro, só o que era necessário!

domingo, 12 de março de 2017

O Sal Aflora




Como não se embolar nos sentimentos alheios?
Como não se importar?
Mais que isso, querer melhorar,
solucionar, se dar!
Neste mesclado irascível
- solidão, tristeza, frustração - 
o sal da pele, das emoções,
do ar sufocado, emerge.

Este é para alguém que responde por INHO,
mas no fundo é um ÃO.





O mar, a terra, o vento... A hora!
Naufraga a tristeza do seu peito, namora!
Enterra o pranto no meu jardim, vamos embora!
Sopra seu desejo em mim, me devora!

O sol, a chuva, o tempo... Agora!
Aquece seu corpo no meu abraço, não demora!
Chove em mim, me molha!
Liberta a paixão sem medo,
só por um momento.

Vem... Me explora!

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Posso dizer que amo você


" Te devoro como uma fera,
despejando todo desejo
e a espreita eu observo
cultivando o meu segredo,
ocultando em mim os seus vestígios
que são deixados a cada gesto,
cada frase e cada imagem."


Para dois seres confinados, que encontram no pensamento, a liberdade de estar juntos.






Só por hoje, eu posso dizer que espero você.
Quando as horas não chegam e a noite invade a mente
E você vem, sorrindo, desmedido, inteiro.
Eu aqui, aguardando o momento para seguir na sua boca
E deixar meu corpo se embalar em suas palavras

Só por hoje, eu posso dizer que sinto você
Que sorrateiramente me abraça por inteiro
E posso te colocar onde você também quer estar
No pensamento, onde o tempo não existe
Ilimitado, apenas você no meu espaço

Só por hoje, eu posso dizer que quero você
Enchendo as noites com seu desejo
Me levando a ações nunca praticadas
Colecionando – ambos – pedacinhos escondidos
Nos libertando na imaginação um do outro

Só por hoje,

até posso dizer, que amo você!

domingo, 11 de janeiro de 2015

Arrebatada

Aqui apenas uma vontade de voar.
Quem sabe nadar para longe, me afogar!
Mas quando penso em possíveis paixões,
rodopiam as ilusões,
e me entrego novamente a esse
rompante, momento errante,
com você!
Para alguém que se afogaria comigo,
com certeza!


Quando as cordas vibram naquele som familiar
Meu coração acompanha as batidas
O sangue flui para a pele e tudo gira
Rodopia na memória do passado, nas tardes quentes
Onde os leques afastavam o calor com suaves brisas
Mais nada conseguiam afastar seus olhos ardentes
E mais quente ainda, eram seus braços
O arrebatamento da sua paixão
Enquanto o bandolim acelerava a melodia
Me arrastando, me embolando no seu corpo.
Naquela dança primitiva
Onde só almas afins, conseguem entender a melodia
Vibra em mim, seus acordes
Enquanto toco suas fibras

E te faço cantar!

A Última Oração

Tempo - nosso maior  amigo
e inimigo.
Ele tira, dá leva e traz.
E no final, ainda como presente tosco,
leva nossa memória e nos deixa
como um casulo vazio.
E são os outros que ficam cheios,
repletos de coisas boas e ruins.
Para minha Tia, para todas as Marias.

Eu te vejo agora, com meus olhos opacos
E tantas vezes te vi tão nítida, cheia de cores, linda!
Mas agora só tenho lembranças disformes que chegam como soluções ao meu coração.
Nem sei por quê ou por quem choro.
Sorrio pouco, pois o espaço que me cerca é desconhecido.
E desconheço os braços que me seguram pois a memória levou minha vida.
Só tenho manchas. Nos braços, no rosto, em toda parte.
Arrastadas pelo meu corpo magro, fraco.
E ele que já foi tão forte, dinâmico, desbravador!
Com vida no ventre, no colo!
Agora me resta uma boneca ou duas que traz de volta o cheiro dos meus próprios filhos.
E às vezes o desespero de nem saber mais quantos foram, ou são, faz o pranto vazar e encontrar o anonimato vazio.
Mas eu amei! Tive esperança, gargalhei!
Sorri meu maior sorriso! Vesti meu vestido mais florido!
Cavalguei, destemida, mesmo abandonada e sofrida.
Provavelmente mal entendida, subvalorizada, autoestima subnutrida.
Julgada, condenada, maltratada.
Também assim desejei, tudo, por ser simplesmente mulher!
E que a vingança tenha perdão pelos dias que sombreei com minha parte minguante.
E que o rancor tenha compaixão pela bondade que temperei com muito sal.
E que as respostas justifiquem quem eu fui com um abraço quente, de quem é recebido quando volta pra casa.
Porque agora já não mais importa quantas janelas pulei nem quantas portas fechei.

.............




quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Fogo no Cabelo

Nós mulheres precisamos reconhecer a força das deusas.
Como mães, irmãs, tias, mulheres de infinitas forças, 
unidas, destemidas, sós!
Este é para minha mãe, que é única.
Quase até no nome!
Lidea.






Não sei porque ri tanto
Não sei porque chorei
Lágrimas do coração
E era um dor conhecida
Reconhecimento de todas as vidas
Do fogo, queimando pelas entranhas afora
Mas mesmo assim ri muito!
E derramei muito sal
Lágrimas derrubadas com foices afiadas
Espalhadas aos trancos nas gargalhadas
Urradas, untadas!
E na corrida desenfreada
Com mil fadas ao meu alcance
Reconheci aquela que me bendizia
Com suas mãos estendidas
Manchadas de carmim
E gritei ao vento, à terra.
Cantei, ainda mais!
Liberta dos trapos, descalça
Apenas com o véu do cabelo
Porque descobri que sou capaz!

...

terça-feira, 29 de julho de 2014

Nosso Amor


O mundo seria mais simples
se deixássemos nossa porção
divina se expandir.
Sem preconceitos, sem regras,
sem julgamentos, sem hipocrisia.
Apenas amor. 
Amor verdadeiro,
daqueles que é sentido na alma,
também!
Este é para duas "garoutas" lindas.
J. e C.


O amor que tu me tinhas
Não era apenas querer
O amor realmente existia
Para mim e para você.

Você que me consumia
E eu absorvia teu querer
Enquanto em nossas vidas
Era apenas eu e você.

E eu até percebia
Que era apenas manter
Um beijo todo dia
Para afastar o teu sofrer

O amor que tu me tinhas
Nâo era apenas o ter
Era infinito a cada dia
Dentro e fora do meu ser.

.....

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Pescando

Tem gente que encontra dinheiro em bolsos perdidos.
Outros encontram fotografias em livros velhos.
Alguns encontram roupas em gavetas escondidas.
Eu encontro palavras em cadernos perdidos,
escondidos em livros dentro das gavetas.
E ainda me pergunto:
 “Fui eu mesma quem escreveu isso?”
Este é para todas as meninas
que amam e se esquecem
do amor, em algum canto. 

Todos os dias me sento a contemplar o mar
Na areia salgada observo os pontos...
Buraquinhos de ar
Onde bichinhos estranhos habitam
Que coisa maluca de se ver
E a espuma vai lavando, alisando a areia onde sento
E o som da água arrebentando é tão hipnótico!
E eu escrevo
E fico olhando a tinta da caneta traçando letras, palavras
Compondo o pensamento, o sentimento, e sorrio.
Quem foi que inventou essa maneira
De tirar o coração do peito
E colocar do lado de fora, em um papel?
Vai ver foi alguém que tinha tanto amor
Que não suportou a dor do anonimato, da solidão
E resolveu explodir!
E se mostrar para todo o mundo!
Assim, todos poderiam saber
Que não estavam sozinhos, amando.

.....

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Princesa Vermelha



Tive o privilégio de conhecer alguém,
antes mesmo de muitos saberem 
que ela iria existir
aqui, no nosso mundo.
E contrariando todas as expectativas
ela veio.
Branca, sorridente, ruiva!
Este é pra você, Lana!







A primeira vez que te vi
Foi como um sonho, meio irreal,
Mas jamais esqueci!
Sua imagem tão serena,
Tão pura e forte,
Me fazendo acreditar
Nos duendes
E na vida após a sorte!
Me lembro do vermelho na forma
Querendo o preto na troca,
E na princesa do conto de fadas
Você repente se transforma!
No sorriso, no corpo,
Agora a confiança transborda
E como o final é sempre encantado
Me chama, me ama!
Aqui estou, Lana!
seu príncipe desesperado!

.....

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Eu e Você


Qual de nós que ainda não viveu um amor proibido?
Atire a primeira maçã!
Esse é para uma mulher especial
que apenas ama... e então?



Foram os sons que me chamaram a atenção.
E também foram aqueles que não podiam ser emitidos.
Eu e você, presos entre quatro paredes
Sem poder manifestar o prazer.
E mesmo assim, ainda que sôfregos,
respirávamos com dificuldade
e sussurrávamos palavras entrecortadas,
um para o outro, nos olhos um do outro.
Sorríamos.
Ríamos muito do contexto proibido,
das razões e soluções que nunca tínhamos.
Eu e você, na sinfonia um do outro,
orquestrados, quase calados,
entre aquelas paredes, testemunhas da nossa mentira.
E a cada passo, a cada som destoante no barulho do ambiente,
arregalávamos os olhos e silenciávamos novamente.
E então, sorríamos do bizarro, antes novo, ou velho,
e continuávamos nossa jornada em busca da nossa verdade.
E era assim, como diz enfim, que conseguíamos ser.
Eu e você.
A procura um do outro, mãos, braços, bocas e sensações,
no escuro, na risada, alheios ao barulho.
E tínhamos tudo no quase nada, e era tanto!
Demais, como quando se ama e se quer qualquer coisa
E mesmo que fosse ínfimo, era, no íntimo, tudo o que queríamos ter.
E era tanto ser!

.....

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Lua Vermelha

Sempre que fazemos algo irresponsável
culpamos a paixão.
Ela não é certa nem errada.
Apenas é!
Para alguém que foi.
E jamais será,
novamente.




Nesse ponto dourado

Onde seus olhos encontram os meus

Prossigo, sentindo-me separada de mim mesma

Enquanto seu beijo não vem!

E muito de vez em quando,

Suas mãos encontram minha pele

Aí o vermelho pulsa na minha boca

Me cegando, sombreando os seus beijos.

Você se afasta como a maré vazante

E me afoga de saudade.

Nesse eclipse multicolorido

Onde somos apenas lembranças

Desencantados, perdidos.

E o amor que existia

Era apenas uma rara fase

Lua avermelhada, multifacetada

Onde a escuridão nos desencontra

... para sempre.

.....

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Partindo


Quando seria o momento certo de libertar o amor da carne?
Como saber se tudo é certo, único?
Não existe quando, eu sei.
Nunca existirá o certo, já sei!
Único eu tenho. Aquele ser especial,
existe.
Este é para meu coração, 
que acredita na liberdade.



Quando a primeira brisa da manhã entrou furtiva,
balançando de leve as cortinas
Eu sabia que precisava partir.
Os sons da noite ainda estavam embrulhados nos lençóis.
E escondido sob o som das suas palavras
eu ouvia o silêncio.
E o que vejo somos nós, nos surpreendendo.
A cada encontro, a cada beijo.
Você até poderia dizer que eu já sabia,
mas eu nunca saberia aonde tudo isso iria.
E todas as histórias que contou,
e além das mentiras que inventei para mim mesma,
seria melhor se eu não soubesse.
E mesmo assim acredito,
quando vejo pulsar sua carne colada no meu peito.
Você poderia dizer que sou culpada,
mas eu nunca saberia se seria verdadeiro.
E enquanto estava sozinha, como a lua,
que deseja encontrar o sol, esperei, muito, tanto tempo!
Mas mesmo agora, que ainda sinto seu cheiro na minha pele,
seu gosto nos meus lábios,
parecemos não pertencer ao mesmo céu.
E você continua dizendo que eu demorei tanto!
Mas eu nunca acreditei, nunca tive nenhuma idéia,
que isto poderia ser assim... tão cruel!

.....

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A Borboleta e o Morcego


Nos perguntamos como relacionamentos entre pessoas
tão diferentes, dá certo.
Simples: o amor é verdadeiro!
Este é para alguém que é 
muito diferente de mim.
Obrigada pelo seu amor!




Na caverna, o morcego de cabeça para baixo, visão míope, percebe o som.
O sibilar das asas diáfanas o atinge.
Suas narinas sensíveis sentem o perfume, o vento, a suavidade.
Vem tudo misturado, o som do mar, o gosto de sal, a saudade.
Agarrado à rocha pergunta-se como um ser tão frágil, aventura-se na escuridão.
Mal consegue enxergar a cor, mas sente sua fragilidade tão bela.
Em sua imaginação apaixona-se pelo impossível e, atordoado com tanta beleza imobiliza-se.
A borboleta aventura-se na escuridão sem medo, como todo ser inocente, que tem a coragem latente.
Traz a lembrança da luz a guiá-la bem fundo, apenas no instinto.
E de repente pousa, como um sussurro, no peito do morcego.
As asas ao seu redor movem-se como um abraço, um mundo perfeito.
E ele, sorvendo o ar bem devagar para o momento não se esvair, é invadido pela companhia dela, nas sombras, com flores na mente.
E no silêncio um do outro, onde se podem ouvir os desejos, pontuado no fundo da caverna de ambas as solidões, eles sorriem.
E ele entende que para estar sozinho se requer disciplina; conviver com sua própria escuridão exige profundo conhecimento próprio.
Num impulso, abre a asas enrugadas e estende a alma; se solta, destemido, em direção ao destino desconhecido, com a borboleta a lhe agarrar.
Ela se firma precariamente à pele macia e percebe quão longe foi.
Relaxa e entende que mesmo no alto da montanha sentindo a brisa,
ou na beirada do abismo, a busca pelo amor dói como uma loucura.
Pensou, nos últimos seguntos – “Minha vida valeu cada bater de asas!
Agora eu sou sua, e você é meu!”
O morcego, capturado e enlouquecido percebeu, tarde demais,
que a loucura nada mais é que o resgate do próprio poder que quebra vínculos inúteis.
E se deu, em queda livre, corpo fluindo, escurecendo ao silêncio pleno.
E na dualidade do amor liberto, gostou de saber que na sua existência ela fazia parte do todo.
E eles existiram, dentro, um do outro.
Longe, perto, em algum lugar.
Em lugar nenhum.

.....